Vantagens e desvantagens de contratar uma consultoria 15 / Julho / 2009
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Introdução
O clima de competitividade é cada vez maior. As empresas confrontam-se com a necessidade de reação imediata aos novos desafios. Isso implica, muitas vezes, alterações na estrutura da própria empresa. Nessa altura, recorrer a uma consultora pode ser a forma mais rápida e eficiente de melhorar o seu negócio. Um caminho que pode parecer fácil, mas que tem também os seus riscos. Antes de decidir é preciso fazer uma avaliação interna e ter em mente as vantagens e desvantagens de contratar uma consultora.
Devo ou não contratar uma consultora?
Antes de decidir se uma consultora é a solução ideal para o seu problema, deve responder a uma série de questões que ajudam a clarificar as suas opções:
- Qual o problema a resolver na sua empresa?
- Existem recursos internos para a resolução desse mesmo problema?
- É realmente necessário proceder a um trabalho de consultoria?
- Se sim, é melhor fazê-lo internamente ou recorrer a especialistas externos?
Da decisão à ação
Consciente dos problemas que a empresa enfrenta e da necessidade de recorrer à consultoria externa, prepare-se para ter um papel ativo durante todo o desenrolar do processo.
Uma empresa não deve recorrer a uma consultora para se demitir das suas responsabilidades. Acontece que alguns gestores, ao não quererem assumir uma decisão ou a não quererem arriscar a sua reputação, optam por contratar serviços externos e descartam-se das suas responsabilidades.
A partir do momento em que uma empresa decide contratar uma consultora, sabe que quaisquer que sejam os resultados, estes devem ser partilhados.
O que deve perguntar ao consultor antes de o contratar
Antes de mais, a sua responsabilidade passa por garantir que a equipa de consultores que contrata reúne as competências adequadas à resolução do seu problema. Procure saber:
- Qual é a experiência em projetos de consultoria?
- Em que outras empresas e projetos mostrou já a sua competência?
- Já esteve envolvida em projetos do mesmo tipo?
- Quais são as suas qualificações para o desenvolvimento do projeto?
- Que tipo de solução é que a equipa pretende implementar? Uma solução-padrão ou adaptada às especificidades da sua empresa?
Vantagens
A experiência comprova que a presença de um consultor externo pode trazer os seguintes benefícios:
- Objetividade – uma visão externa, sem vícios nem idéias pré-concebidas da empresa (especialmente importante na fase de diagnóstico);
- Coragem para tomar decisões – os consultores limitam-se à tomada de decisões racionais, enquanto os colaboradores da empresa tendem a tomar mais decisões emocionais e políticas;
- Competência e experiência da equipa de consultores;
- Capacidade de comparação com realidades de outras empresas na mesma área de negócio;
- Capacidade de implementação – só no caso das consultoras operacionais que acompanham a implementação das suas soluções, pois as consultoras de estratégia ficam pela fase do diagnóstico;
- Rapidez de resultados – a equipa de consultores contratada compromete-se a apresentar resultados num determinado período de tempo. Além disso, sente mais a pressão devido à relação cliente/fornecedor, ao contrário do que aconteceria com uma equipa interna;
- Parceria com o cliente – união do know-how interno com a experiência externa;
- Disponibilidade – dedicação exclusiva de uma equipa de consultores a um determinado projeto. Depois dos anos áureos do downsizing, os quadros internos de pessoal das empresas dificilmente poderiam dedicar-se a um projeto de análise interna e comprometer-se com resultados e prazos.
Desvantagens e riscos
Ao assumir a contratação de uma equipa externa, é necessário ter também em mente as dificuldades e riscos que pode enfrentar:
- Desconforto – os consultores ignoram questões emocionais e políticas (embora comecem já a surgir preocupações neste sentido) que pode ter repercussões negativas a médio e mesmo a longo prazo, já que algumas medidas têm um tempo de gestação superior à vida do projeto;
- Sentimento de dependência – quando da saída dos consultores;
- Os consultores podem ter uma visão demasiado artificial do negócio;
- Expectativas irrealistas – no caso de objetivos mal definidos à partida;
- Desresponsabilização da equipa de gestão da empresa – os consultores não estão na empresa para substituir a equipa de gestão, mas antes para trabalhar em conjunto com ela;
- Desmoralização da equipa interna – a entrada de consultores externos pode dar a idéia de que a administração perdeu a confiança e desvaloriza os seus empregados;
- Custos elevados.
Custos versus benefícios
Para além de verificar se a equipa de consultoria corresponde às suas necessidades, é crucial certificar-se se o projeto é financeiramente viável para a empresa. Para isso, deve calcular o retorno do investimento e por frente a frente custos e benefícios.
O custo de um projeto de consultoria oscila entre as centenas e largos milhares de contos e não demora nunca menos que três meses.
O preço depende de quatro fatores-chave:
- O prestígio da consultora;
- O número de departamentos a ser analisados;
- O tempo do projeto;
- A inclusão ou não de serviços paralelos (ex: formação).
Nem sempre é fácil calcular o ratio custo/ benefício por isso o ideal é ser a consultora a determiná-la. A verdade, no entanto, é que são poucas a fazê-lo.
Como otimizar a presença de um consultor
Ainda assim, existem formas de tirar o máximo partido da presença de uma equipa de consultores na sua empresa. Para isso:
- Faça um ponto de situação da empresa o mais claro e objetivo possível, para que não haja dúvidas e a equipe de consultores possa estar bem ciente dos problemas com que vai ter de lidar.
- Defina os objetivos, os prazos e a periodicidade das reuniões para se inteirar do andamento do projeto.
- Exija total abertura e franqueza por parte dos consultores de forma a que estes ataquem o cerne das questões sem constrangimentos.
- Mantenha um contacto constante com os consultores para não perder o controlo do projeto e ir informando a administração acerca dos seus progressos.
Conclusão
São muitos os casos em que a contratação de uma consultora acaba por ser uma história de insucesso. Não se deixe enganar com soluções fáceis, imediatas e que fazem variar o resultado final do montante que a sua empresa está disposta a pagar. Quando a esmola é grande, é mesmo caso para desconfiar.
Não deixe que os problemas que tem para resolver se avolumem. Contratar uma consultora quando os problemas já ganharam uma grande dimensão pode ser dinheiro deitado fora. As consultoras ajudam, mas não fazem milagres.
Tenha em mente que durante todo o processo é necessário acompanhamento e partilha de responsabilidades com a equipa de consultores. Afinal, quem tem de decidir é sempre a empresa e, para isso, deve estar a par de tudo o que se passa. Não espere que uma consultora seja a cura para uma série de problemas que só a própria empresa pode resolver.
Glossário
- Auditor: inspetor externo que analisa a contabilidade da empresa, averiguando se esta corresponde ao seu verdadeiro estado financeiro. Ao verificar as contas da empresa, elabora um relatório que serve de orientação para os anos seguintes.
- Consultor: especialista externo que identifica, analisa e soluciona os mais variados problemas operacionais da empresa. Para isso, tem acesso a informação privilegiada e confidencial, fornecida pela própria equipa de gestão da empresa.
- Downsizing: processo de redução de custos através do emagrecimento da estrutura de recursos humanos da empresa.
Bibliografia
- Ashford, Martin, Con tricks: the shadowy world of management consultancy and how to make it work for you, Schuster Intl., 2000
- Hurd, Stan, The consultant’s role: a handbook for consultants and those who use them, FINA Corporation, 2000
Referências
- Ask a Biz Consultant, www.bizroadmap.com
- Small Business Research Consultant Market Benchmarks, www.gdsourcing.com
- The Expert Witness and Consultant Reading Room, www.lectlaw.com
POR QUE DEVO CONTRATAR UM CONSULTOR? 14 / Julho / 2009
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AUTOR: Luiz Salgueiro
Existem pelo menos 7 bons motivos para você contratar um consultor:
1. Transferência de tecnologias de gestão
2. Utilização de metodologia de gerenciamento de projetos.
3. Garantir velocidade e respeito ao cumprimento das etapas do projeto.
4. Intermediar assuntos politicamente complexos
5. Auditar processos com visão externa
6. Definir e/ou implantar solução “turn key”
7. Aportar mão de obra especializada temporária
TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIAS DE GESTÃO
É um dos motivos mais freqüentes. A empresa percebe a necessidade de adotar tecnologias que não domina, então contrata um especialista! A convivência com o consultor nestes casos pode ser limitada a palestras/ seminários, ou, o que é mais produtivo, através de acompanhamento do projeto de implantação da tecnologia em pauta.
METODOLOGIA DE GERENCIAMENTO DE PROJETOS
Menos óbvio que o motivo anterior, costuma ser adotado por empresas que conhecem a dificuldade de implantar projetos complexos sem o auxílio de uma metodologia bem estruturada. Há muitos casos em que a complexidade vem não da tecnologia, mas da quantidade de pessoas a serem envolvidas no projeto, ou da importância do mesmo para a sobrevivência da empresa. Normalmente, projetos que envolvam mais do que 10 pessoas justificam uma metodologia bem estruturada, que considere o melhor balanceamento entre maximização de resultados com minimização de esforço de implantação. Há também o caso de tecnologias que podem não envolver muitas pessoas, mas afetam profundamente os hábitos das pessoas envolvidas. E mudar hábitos não é tarefa fácil para a maioria dos seres vivos!
GARANTIR VELOCIDADE E RESPEITO AO CUMPRIMENTO DAS ETAPAS DO PROJETO
Motivo menos óbvio, porém é um dos grandes benefícios que um consultor externo pode trazer para um projeto de implantação bem sucedido. Costumo perguntar em minhas apresentações se os presentes acreditam que fazer exercícios físicos faz bem para a saúde. A resposta unânime é que sim, porém quando a pergunta é: quanto dos presentes faz exercícios físicos regularmente, apenas uma minoria se manifesta. É um fato: mesmo para um assunto que compromete a própria saúde e longevidade, as pessoas só costumam fazer exercícios em academias, pagando para um orientador repetir que agora é para fazer mais flexões e abdominais. O mesmo fenômeno se aplica na implantação de projetos de tecnologias de gestão, que envolvem a modificação de hábitos das pessoas. A pressão das atividades operacionais do dia a dia, mais uma costumeira má administração do tempo dos executivos, faz com que o tempo de dedicação necessário à implantação de tecnologias de gestão se transformem em verdadeiro estorvo no meio da agenda atribulada. Recordo não ser incomum em alguns clientes a “pressão” que a freqüência de minhas visitas faz: “depois de amanhã o consultor estará aqui e não fizemos o dever de casa ainda…”. A presença freqüente do consultor, suportada por forte metodologia de implantação, permite manter a disciplina e velocidade necessárias ao sucesso do projeto.
INTERMEDIAR ASSUNTOS POLITICAMENTE COMPLEXOS
As empresas são ambientes sociais de relações complexas, em que o poder e influência muitas vezes impedem manifestações honestas e espontâneas. Quase todo cliente possui assuntos que várias pessoas da organização sabem ou pensam, mas que não podem ou não se sentem confortáveis em discutir pelas conseqüências políticas para suas carreiras. Esses mesmos assuntos, se encaminhados por um consultor externo, não ofendem nem magoam, pelo contrário, muitas vezes desanuviam o ambiente tensionado pelo desconforto de não ter o tema em processo de discussão. Um bom consultor externo tem uma boa dose de confidente e conselheiro!
AUDITAR PROCESSOS COM VISÃO EXTERNA
Outro dia me contaram que a diferença entre um terrorista e um auditor é que o primeiro possui simpatizantes. Quando se trata de verificar o nível de excelência em determinado processo, a auditoria de um consultor externo costuma ser bem recebida. A postura saudável não é a de “arrá, peguei um erro de vocês…” mas sim a de identificar os aspectos que precisam de uma atenção maior da organização para que ela possa melhorar os resultados do processo. Os laudos destas auditorias são normalmente acompanhados por um plano de ação para implantar as recomendações indicadas.
DEFINIR E/OU IMPLANTAR SOLUÇÃO “TURN KEY”
Não funciona para projetos de implantação de tecnologias de gestão. Tecnologias de gestão mexem com hábitos de pessoas, e ninguém pode mudar os hábitos por outra pessoa. É o tipo de coisa que precisa ser feito por você mesmo; o máximo que o consultor faz é orientar e garantir o ritmo. Mas se o assunto é desenvolver um software, projetar e instalar novas instalações, etc, tais serviços podem ser comprados “fechados”, como um produto tangível na sua conclusão. Enquanto a consultoria está executando o projeto, o pessoal da empresa contratante continua executando suas funções normais.
APORTAR MÃO DE OBRA ESPECIALIZADA TEMPORÁRIA
Muitas vezes adotado como solução jurídica para um relacionamento trabalhista menos burocrático e até mesmo menos oneroso pela redução dos encargos envolvidos, esta opção é cada vez mais utilizada pelas empresas cada dia mais “enxutas”.
Lembro-me quando ainda na linha de frente como executivo, estava envolvido no projeto de implantação de um sistema integrado de gestão. Montei uma equipe de implantação com usuários das diferentes áreas, defini as tarefas iniciais que durariam uns três meses pelo menos, e me perguntei na solidão de minha sala: …e depois desses três meses, o que deverá ser feito? Foi quando contratei um consultor pela primeira vez. Fui motivado pelas duas primeiras razões mencionadas: transferencia de tecnologia e de metodologia. A convivência com esse consultor, no entanto, mostrou-me a importância da terceira e quarta razões: garantir velocidade e cumprimento às etapas do projeto, assim como intermediar assuntos politicamente complexos. Um dirigente de sucesso se caracteriza por dois fatores principais: coragem para não procrastinar nas decisões e habilidade para se cercar de bons profissionais e conselheiros,